segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Dor da perda

Hoje é um daqueles dias que eu preferia não ter saído da cama e não ter recebido notícias ruins (como se fosse adiantar). Resolvi explicar tudo que anda acontecendo, o porquê das diversas postagens um tanto depressivas no twitter . Pois bem, meu bisavô foi internado há duas semanas com problemas - até então - pulmonares. Diversos exames e toda aquela enrolação dos médicos para dar o real diagnóstico. Na terça-feira da semana passada ele foi para a UTI, na sexta-feira piorou e foi sedado, e hoje de manhã infelizmente faleceu. E o que agravou mesmo foi o Câncer.
Ontem quando fui visitá-lo senti um vazio tão grande, uma tristeza de vê-lo naquela situação, enquanto minha memória parece que rebobinou uns 10 anos e lembrei de tantos momentos. Dos Natais em volta daquela mesa farta. Os filhos, netos, bisnetos, sobrinhos, e todos que chegassem, rindo, conversando, e nós - as crianças - correndo pelo quintal e a nossa bisavó mostrando os moranguinhos crescendo na horta todas as vezes que íamos até lá. Quando nas Páscoas tínhamos que procurar todos os ovos de chocolate pelo quintal, pelo jardim, pelo quartinho de ferramentas e depois sentávamos no chão para comer cada um. Aquele senhorzinho que vinha até o portão, depois da campainha. Então passávamos, dávamos um beijo e entrávamos em casa. Não teve um dia sequer que aquela lata que ficava sob a mesa de centro da sala não estava cheia de bombons. Era praxe chegar e comer vários durante a tarde. As histórias de quando lááá no passado, ele tinha que andar quilômetros para comprar uma caixinha de fósforos que fosse. E aquela sacola de plástico repleta de brinquedos que ficava guardada no armário do quarto? Despejávamos no chão da sala e sempre tinha briga porque um queria brincar com o brinquedo do outro, mesmo tendo uma centena de outros brinquedos. Os tapinhas nada sutis que a Dona Elza, minha saudosa bisavó, nos dava de brincadeira. O nosso encantamento com aquele abajour que mudava de cor. Quando ele já velhinho inventava de subir no telhado pra arrumar alguma coisa. O comum pega-pega em volta do Fusca azul-calcinha na garagem. Quando a gente tocava campainha e esperava a bisa ir até a janela e dar uma bronca. Os aniversários que todos se reuniam, e como era bom ver o brilho nos olhos deles por ter a familia toda junta. Memórias, memórias e memórias. Lembranças de um passado agora distante. Momentos únicos que não voltam mais. Abraços que não serão mais dados. Sorrisos ficaram na memória e em fotografias...
Hoje um dos homens mais justos, mais honestos, mais dedicados, mais trabalhadores, mais ricos de alto astral, de companheirismo, de boa vontade, se foi para um lugar especial. Para um lugar onde ele olhará por nós, para um lugar junto com a sua companheira de longos e longos anos. Para um lugar longe da nossa realidade. A saudade com certeza vai se manifestar muitas vezes através das lágrimas, mas quero mesmo é lembrar desses momentos aí de cima, desses e de tantos outros momentos mais do que especiais. Inesquecíveis.
Mais do que pai, avô, bisavô, marido, companheiro, amigo, homem. Um exemplo.
Agora todos já sabem o motivo de tanta dor. E depois de ontem, conclui três coisas: 1. não tenho vergonha de chorar; 2. não tento ser forte; e 3. meu psicológico está inteiramente em pedaços.

Declaro todo meu amor a esses dois seres iluminados, Sr. Gerhard e Sra. Elza!


3 comentários:

  1. Que lindo desabafo, Fabi...
    Sinto muito pela sua dor, mas você começou a lidar com ela de uma maneira muito bonita: Lembrando dos melhores momentos...
    Preserve-os sempre vivos em sua memória... é sempre o melhor remédio para a saudade!

    Fica bem!

    Beijos Fartos!

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  2. Fabi,
    Muito bonito o texto e o seu desabafo.
    Sinto muito pelo seu bisavô, Fabi.
    Guarde sempre com você os melhores momentos que você esteve com ele que esta "dor" passa.

    Fica bem, e sabia que eu estou por aqui!

    Beijos.

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  3. Chorando aqui... rs
    Quantas lembranças bonitas, quantos momentos gostosos ao lado de pessoas queridas e especiais! Carinho é pra sempre. Ninguém esquece ou perde, Fabi.
    Parabéns pelo texto, parabéns pela família. E fique bem.
    Beijos,
    Fê.

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